domingo, 21 de julho de 2013

Soneto dos olhos mais tristes


Você escreve sozinha até quando rodeada por muitos.
Parece querer contar para caneta suas dores escondidas.
Mas no papel não caberão todas essas historias sofridas.
Que quando, nua, as absorve de todas as pessoas da tua rua.

Nem todo mar do seu pequeno planeta cabe nos seus olhos.
Este que tantas pessoas se afogaram e com elas te levaram.
Onde navios se afundaram dentro de suas lágrimas angustiadas.
Não há muito além do que peixes abissais antigos e pavorosos.

Sua cabeça abaixada todos os dias brincando de sonhar pra longe
Esperando príncipes que nunca virão e coroas que não existem!
Crias-te tantas muralhas feitas de teu choro petrificado não escutado.

Veste-se como uma mulher bonita e adulta mas é uma criança torta
Está faminta de colo e atenção de carinho e de emoção de pai e de mãe.
Diz-se estar feliz e cheia de forças, nem consegue ver que já está morta!
 


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