sábado, 20 de julho de 2013

Malleus Maleficarum


1407, traz páginas de um deus sanguinário
junto de risadas de um povo incendiário


As brasas alimentam-se dos pés das pobres queimadas
Que misturam seus gritos no trepidar das chamas.
Amarradas a voarem pra longe na forma de fumaça.
E perderem seus corpos tantas vezes virgens e jovens
em cinzas que mal serão lembradas e, tão pouco,
sopradas aos ventos. São tocos de cigarros já gastos.
Tão cruel é também a plateia que aplaude de perto e
Parece se deliciar com os suplícios dolorosos e alheios


1407, traz páginas de um deus sanguinário
junto de risadas de um povo incendiário


Nem pode sonhar com toda dor que assiste perante os olhos
De olhos borbulhando servidos a sangue quente, fervendo!
Belas artes são estas esculturas esculpidas em praças publicas
Por artistas pomposos e divinos que, com toda essa graça,
Manipulam em carvão humano estátuas adormecidas pela morte.
Lembradas e atormentadas pelos poetas que as descendem
Que as defendem, e que fazem depois de séculos essas defesas vãs.
Pensar que almas foram julgadas, trancafiadas na escuridão do mundo,
E aprisionadas nas entranhas mais sombrias e esquecidas da terra.
Ah, grande século das trevas, quantas rotas de Vinicius alteraste!


1407, traz páginas de um deus sanguinário
junto de risadas de um povo incendiário


E quantos filhos desabrigaste com um único teto solitário, a fome.
Quantas. Quantos. Mães e pais declinaram ao suicídio como chave final.
Ah, grande século das trevas, que ainda esconde meio mundo de atrocidades.
Atrás de reis e príncipes com seus solideis dogmáticos e seu livro assassino.
Os que ate hoje me exalam o cheiro podre de tantas mortes injustas, tantas
lágrimas que me escorrem no peito e espalham em mim memórias tristes.
De cenas escabrosas, pobres de minhas irmãs incineradas e meus irmãos cremados.
Culpados até de uma peste que os navios santos e gananciosos trouxeram de tão longe!
Pobres dos espíritos que choraram no escuro com seus corpos carbonizados
repetindo durante séculos as fogueiras que consumiram suas vidas e sua carne.
Em letras claras o desespero foi personificado e o medo correu sobre todos
e muito mais do que todos foram assassinados no fogo dos olhos dos deuses da terra!

1407, traz páginas de um deus sanguinário
junto de risadas de um povo incendiário


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