A
beleza e a morte tem um único sabor
quando
descritos nas teias da vida e da dor
Perdi meu coração há muito tempo na ponta de
uma esquina fria.
Debaixo de uma lâmpada de praça envelhecida
que refletia sua luz
Fraca nos olhos de uma víbora esguia que se
escorregava com gentileza.
Seus cabelos da cor da nossa madrugada
flutuavam tão vivos e certos
como se quisessem imitar os balanceios e
sibilares da cabeça da Medusa.
Seu vestido de brisas curtas pairava calmo
sobre o corpo bonito e veloz.
E como numa pequena fração de segundos mal
calculados, um piscar,
Seu beijo morno enchia de paralisia e volúpias
minha boca entregue à ela.
A
beleza e a morte tem um único sabor
quando
descritas nas teias da vida e da dor
Putrefará sem eu perceber meus lábios num
vagaroso de prazer.
A dor pulsava junto de meu sangue agora, o que
senti coagular logo
dentro das minhas veias tortas e estupradas
azuis e esverdeadas.
Lembro, antes que as trevas ruíssem minha
visão de sentir um abraço
hipnotizante e envolvente de oito braços com
fome mas bem cautelosos.
E ainda posso citar que antes de perder a
consciência e vir a falecer
Tive o desprazer horrendo de engasgar com
minhas vísceras, tripas
e órgãos se liquefazendo lentamente até morrer
com meu cérebro,
o que sufocou-me ao escorrer por meu nariz e
me levando a asfixia.
Morri completamente encantado pela mulher que
bebeu minha vida.
A
beleza e a morte tem um único sabor
quando
descritas nas teias da vida e da dor
Acordei, mas não consigo me lembrar quando
isso veio a acontecer
se demorou horas, anos ou séculos, de certo
que nunca vou saber.
Quando reparei a minha volta estava pisando em
corpos deformados
acompanhados de espíritos chorosos esperneando
e se debatendo.
A atmosfera confundia meus olhos não era
nítida e sim ectoplasmática.
A espreita de uma nova vítima ou refeição avistei minha assassina.
O jovem rapaz que ela atraíra agora nunca
ouviu meus gritos ou avisos
os que para ele soaram como simples assobios
indecifráveis do vento.
Então escolhi fechar meus olhos e chorar um
pouco em silencio e de pé!
Sabia que logo o espírito do jovem também
seria deturpado e estaria aqui
E um tanto mais tarde condenado a assistir os
espetáculos da nossa viúva.
Fazendo de nós rasgos no tempo e espaço,
seremos lembranças inexistentes.
A
beleza e a morte tem um único sabor
quando
descritas nas teias da vida e da dor

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