Sou feliz quando somos do outro
dentro da saliva e do sêmen no ventre
Os fios do meu cabelo jogados e quebrados nessa cama
cheia de suspiros e suor.
E meu corpo todo rasgado de dentes e unhas famintas
formigas devoradoras!
Que sobem ao teto com suas patinhas sujas de vermelho
e parecem escrever,
Cobra juvenil e esguia espírito de malícia bebedor da
alma dos homens de família.
Sim, sou menos que uma noite e muito mais que um
simples gemido, é um grito!
De desejo puro de cantigas formuladas no franzir dos
dentes de meus senhores adúlteros.
Olhos de criança do corpo de um jovem homem na idade
cruel e voluptuosa de um menino
Nas vésperas de sua colheita doce, gotinhas primarias
de seu leite virgem e desejado!
Sou feliz quando somos do outro
dentro da saliva e do sêmen no ventre
Adoro! Quando o cheiro de meu sêmen abraça meu corpo,
sinto vontade de ficar nu
e deitar sobre a mesa mais próxima, apenas me tocar e
cantar alto toda minha Satirize.
Imaginar todas as línguas possíveis lambendo um pedaço
do meu corpo babando e babando
cada uma em sua perfeita cópula com minhas mãos, pés,
barriga, cabelos, coxas, pernas!
Pense nisso enquanto adentram minha alma de maneira
cruel e rápida dolorosa e lenta
e me arrebenta e afoga em tantos poços deste liquido
que me cerca e minha boca inunda,
me faz um
cálice em pleno ápice cheio de gozo e dos desejos mais perigosos e dolorosos.
Pura maldade, uma beldade esculpida em rocha viva e um
deus das trevas em constantes
orgasmos borbulhantes longos e por vezes tantas vezes
infinitos e dilacerantes, deliciosos.
É como se toda a inocência de um anjo terminasse na
ponta da cama de um demônio!
Sou feliz quando somos do outro
dentro da saliva e do sêmen no ventre
Com tudo e sobre tudo, em cima e embaixo de tudo, de
lado de quatro e deitado e molhado,
não me esqueceria do sabor que abriga o ventre e os lábios
doces grossos de nossas rainhas
de nossas mães e irmãs sedentas por alguém que flutue
junto delas em rasgos amargos.
E das primas amigas, sadias e doentes, luas decaídas
e estrelas cadentes todas em brasas
com asas que tocam nos altos céus, quando derretemos
juntos nas juntas de nossos corpos.
O perfume que provem das gotas desse suor de homem com
homem e mulher com mulher
projeta as mais fortes intensas perversões voluptuosas
nos meus e nos teus sorrisos, nossos!
Tanta é vida liquefeita e derramada no chão que abriga
e afaga com carinho nosso coração
nos entrega me entrega te entrega nos esfrega beija
morde coloca e enforca mete volta.
Não sou puta nem vadio, palavras curtas de
significados mínimos não me definem direito.
Não sou nada além de toda e mais saborosa vulgaridade
e beleza encarnada num só ser,
que te vê, lê e sabe dos teus desejos mais sujos,
antigos e sombrios sem fim, sou Ninfo!
Sou feliz quando somos do outro
dentro da saliva e do sêmen no ventre
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