segunda-feira, 22 de julho de 2013

Uma xícara de falta


A xícara é a mesma, assim como o café
que já está velho e frio!
Ele morreu só e tão só perdeu o calor.
  Conservou a cor e aroma em memoria
daqueles que partiram ou deixaram-se
de existir de alguma forma.
Tem espelhos nesse café que refletem
fantasmas entristecidos mais antigos
que minha própria alma, e nem ela pode
tentar imaginar suas faces obscuras
ou adivinhar por que choram desesperadas
essas dores e fissuras encarnadas.
São pessoas, e são abandonadas.....
São pessoas, e são amarguradas....
São pessoas, e são amargadas...
são pessoas, e são deixadas..
são pessoas, e são jogadas.
Somos eu, é você, foi ele, ainda é ela,
será nós!

Dores pessoais



Todos os dias nossas almas são dilaceradas
por navalhas e agulhas grotescas, escabrosas,
dolorosas e vampiras. As que criamos para
sustentar nossos próprios agouros de tristeza
e solidão depressiva que consome mais luz do
que temos e isso nos afunda em trevas intermináveis
da cor dos meus olhos negros pouco molhados
e deixados para trás numa época em que o destino
se findou e as entranhas de meu estômago me forçaram
a ficar aqui sozinho dentro da minha esquizofrenia.
Querida amiga de todas as eras e de meu lindo travesseiro
de sonhos e sono de comprimidos coloridos que comprimiram
meu coração em pedacinhos pequenininhos de balinhas em
envelopes controlados, minhas mortes no ventre de cada
jovem desesperado e sedento pelo esquecimento verdadeiro

Toques, Maçãs e Vermes


Toque-me,
maçãs e pecados
saliva e afagos
dados de bom grado
ao cantante tão galante
cavaleiro andante...
O que tem o coração
feito de filhas e fungos
doenças e ruas cheias
de moças bonitas sós
e abandonas na sorte
fiel que lhes dá o intimo
das trevas, os príncipes
honestos e cheios das
certezas e verdades que
comandam a terra...
Cada anjo que nos deita
e devora sai de mãos dadas
com cada demônio la fora!
Aqui, toda sombra de
bondade e fidelidade sentida
vai embora. Vai nas nos ventos
e também nas asas dos pássaros
que migram e levam os vermes
em seus bicos para outros
cachorros acharem que uivam
como lobos...
Pobres, destes esqueletos vivos
caminhando as sepulturas vagas
e inesperadas... Já esperadas
pelos que comerão de suas carnes
podres e putrefarão suas memorias
em doenças e lembranças
escritas na forma de belos epitáfios!

Ódio




O ódio é fruta doce e gelada
daquelas que você come até
as raízes das árvores mais amargas
e ainda assim as sente "doces"...
Doces farpas de cristais que pingam
dos teus olhos...
Cristais que queimam como se o
próprio sol tocasse a pele viva
destruindo a carne frágil desses
porcos gordos que só merecem
a morte verdadeira...
Assim pensamos e quase molhamos
a boca de fome e sede quando de
longe do outro lado véu nós vemos
belos inocentes deturpados os que
perdem seu brilho se tornam ocos
e vazios, saborosas casas sem alma!
 

Asas na terra




Ele está caindo.
Caindo, caindo, caindo,
caindo? caindo?
caindo!
caiu.

e do seu cair brotou.
brotou na terra
brotou no mar
brotou no ar
e brotou no fogo.

Fintou raízes em nossas cabeças,       gavinhas nos nossos olhos medrosos.
Olhou pro céu,
R

      a

           s

                 g

                      o

                             u

                                                                                                       AS   

                                                                                                   a

                                                                                             S

                                                                                        a

                                                                                    s



E tomou a forma de um fauno!
Espalhou-se por todas as páginas humanas
criando medo e temor,
Tornando-se as asas de toda a humanidade.


      


 


domingo, 21 de julho de 2013

23 de Abril


O desejo de destruir é o mais próximo que lhe tenho  
é como evocar o passado no presente o mantendo vivo no futuro, 
a custa de sangue e choro inocente!  
Não, eu não quero que chegue este mês novamente  
e não quero sentir o cheiro dessas malditas flores frias
  Prefiro dormir ao lado dos perfumes que não uso mais  
enquanto seguro cartas que morro de medo de abrir.  
Pois, perto do fim, a exaustão do espírito e o declinar da alma 
são parte das amarras que vão me segurar  
E impedirão que eu procure os mortos entre os vivos!


 


Do outro lado ao lado





Eu não pude sentir quando a morte veio,
me lembro de ouvir um forte grito enevoado
que se calou quando a escuridão se fez pronta!
Meu corpo ficou pesado demais para levantar
e então eu o deixei cair na terra como se fosse
feito de metal. Percebi todo meu sangue evaporar
e minhas lembranças serem refletidas em lágrimas.
Eu quis muito voltar e pular nos braços de meus pais
e como desejei beijar meu querido amor que abandonei.
Ele nunca vai entender que não quis deixá-lo e que
fui forçado a seguir em planos paralelos não visíveis.
Estou com tanta sede, e com tanta fome mas não
há o que comer nem o que beber por perto.
Estou preso na encruzilhada do meu destino triste
Eu não quero seguir mas também não posso voltar.
Acho que vou ficar até virar sombra, poeira ou um eco
feito de lembranças!

1407

Muitos Gritos desesperados se perderam na fumaça
Abraçados em forma de estátuas de ossos, carne e pó.
Lentamente devorados e chamuscados em grande dor
Levemente evaporados e soprados na forma de poeira.
Últimos e piores são os suspiros misturados no trepidar
Sufocados e abandonados num espetáculo monstruoso!
Mortalhas doloridas e túmulos de madeira em toda praça.
Alegram com a morte os olhos do pomposo deus na terra.
Louco é este faraó da idade média e assassino incendiário
E bem pior é o seu ego culpando pessoas de sua ganância.
Fabricando pragas que seus ratos e navios sujos trouxeram.
Iludem e pervertem a sociedade com suas trevas e bruxas
Capazes de criar doenças dizimadoras, esposas do seu diabo.
Almas foram trancafiadas na sujeira  egoísta da humanidade
Roubadas para as profundezas antigas e farsantes dessa fé.
Usurpadas como seres ruins que merecem perecer no fogo,
Mais de sessenta mil foram destruídas pelo poder do medo.


1407 ll

 
,tenho o espírito expulso de meu corpo
pelas chamas gananciosas desse novo
Deus, esse que surgi no horizonte mais
vermelho que nos já vimos nessa terra!
Nossas famílias estão chorando, meu amor
grita, ele pobre grita no meio de todos
sem poder fazer muito além de assistir
minha essência ser transformada na frente
de todos em puro pó, cinzas e poeira
cósmica... Me chamam de bruxa, ou de Isabel
dependendo da classe social que se dirige
a mim. Graças a bondade dos espíritos
eu desmaiei com a fuligem e a fumaça
que entraram em minhas veias respiratórias
e assim, assisti minha própria queima
do lado de meus entes queridos... Com
a dor, e o calor vivo que destrua minha
carne eu não via mais por que estar ali
acompanhando os vivos, aumentando seus
sofrimentos e tormentos na forma de uma
lembrança morta e viva ao mesmo tempo,
um fantasma, uma mulher, um demônio...
Como disse depende da classe que se
dirige a mim.
Estava pronta para ir embora, quando
senti as mais quentes correntes prenderem
minhas pernas nessa existência repleta
de desespero, eu me via imóvel e enquanto
isso podia ver a alegria desses pomposos
que não se importaram com minha morte,
pelo contrario planejavam matar mais e
mais pessoas. Foi quando eles vieram,
Obscuros, Tenebrosos e extremamente Frios.
Aplacaram as dores espirituais do fogo
que eu mantinha no meu intimo pós-morte!
Naquele momento senti toda força que as
trevas podem alimentar dentro de um coração.
Eu os odeio, detesto e jamais serei capaz
de perdoar perante reencarnação à
reencarnação alguma, eu os desejo vivos
e doentes sujeitos a toda imundice que
condição humana pode dar!

Soneto ao meu Amor eterno






Lembro perfeitamente dos seus primeiros sorrisos
bem como também suas primeiras lágrimas escondidas.
Juntos, eram as insígnias mais brilhantes que eu já vi.
As que acompanhavam suas vozes tristes e alegres.

Quantas vezes chorei e você quantas vezes nunca soube
quantas noites rezei pra você estar comigo onde estou,
preces bonitas e longas, chorosas que você nunca escutou.
Ouve gritos meu amor, tudo era desespero tudo era dor!

Hoje estou mais contente algo que me contou que está bem
você não compreende mas em meus sonhos te abracei forte.
Desejei sorte, segurei sua mão e a outra dei para a morte.

E ainda que estejamos a tantos milênios de anos luz
sinto saudades amor meu, tanta é a saudades de ser teu
Não sinto seu beijo, mas se fechar os olhos ainda te vejo.