terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eroduto Erus Amarante Perfus Lustro Inanimato




[ De, O livro Vampiro, Grimoire ]



[...] Ainda há algumas poucas raízes fincadas nesse chão trincado. Trincado chão que é um pedaço de terra que se esqueceu de respirar, mas que sustenta um enorme pendulo cheio de espinhos e gavinhas tortas. Três são os braços de madeira que nascem do pendulo comprido. Três, também são as belas rosas que existem na mão de cada braço espinhento.

                Uma rosa Vermelha para todo sangue esquecido!

                Uma rosa Azul para todo o choro nunca escutado!

                Uma rosa escura, totalmente desprovida de cor, para toda a dor, tristeza e gritos depressivos que um ser qualquer pode suportar. Esta roseira é fria e nunca contente infeliz por apenas ser existente. Há dias que chegam a nevar e as folhas da bela criatura chorosa chegam a rachar ou se estilhaçar conforme o vento lhes bate e destrói.

                E ainda que as irmãs amaldiçoadas não possam nos contar suas historias, percebemos na falta de perfume, no silencio morto quebrado por lágrimas e presença assombrosa que assola a roseira que não há encanto, ou qualquer contentamento nelas nem para elas... Teu símbolo natural é um selo imortal. Transparentes para todos os olhos que não conseguem ou não ousam voar tão alto. São elas as encarnações evocadas de nosso tempo desperdiçado, nosso ódio consumado, abandonos e maldades plasmados na forma lamuriosa de três belas damas despetaladas!


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