quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Morro


Psicografia

As gotas são vermelhas.
É dia, o que já não importa!

Morro.
12:00 Auge do sol.

Olá, diz ela compassadamente!
Já ele levanta correndo, e grita:
Qualé dona? qual é a tua?
A minha? a minha é mesma da sua,
menino.
Sei, to ligado, diz ele meio de lado.
A dona num devia tá por aqui não!
E por que menino? Se estou todos os dias
por estas ruas, passeando.
em? diz ele pensando em que droga a moça fumou!
Você é muito jovem, não entende, desculpa não é nada pessoal!
Íhhhh.. oh  Dona, menino aqui nasce homem.
e se nascer mulher, nasce vadia duma vez só.
A gente já nasce dando bença pra morte e se despedindo
dos que presta.
Claro. Conheço vocês, diz ela cada vez mais calma!
Mais se a dona anda sempre por aqui, assim calma e inteira ainda
deve ter parte no cão.
Por que deus num mora mais  aqui não, eu mesmo nunca vi,
mas o que tem de sombra correndo pra lá e pra cá, me faz pensar
que o inferno é mole.
Ela o fita neutra e diz: Que te faz pensar que merece o inferno.
Ele vira o rosto e diz: Oh Dona a senhora fala engraçado,
ninguem aqui merece nada não. do mesmo jeito que nois é tudo inocente.
Então ela caminha até perto e diz: Posso abraça-lo?
ele ri da cara dela e fala? Tu é loca mesmo em?
nem minha mãe me abraça.
Ela ainda assim o abraça.
E ele surpreso, corresponde.
Dona a senhora é gente boa desce daqui aqui num é lugar pra alguém.
Só existe nois mesmo.
Ela olha para o chão com um sorriso pálido e quando o olha novamente
ele corre subindo mais ainda o morro.
Ela suspira, estende a mão e grita: Até logo!

Esta lembrança não existe.
Mas foi revivida centenas de vezes todos os dias.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Partida em Goles





Fizeste o tal, destes comprimidos
Coloridos agouros e fieis gemidos 
Que lhes roubaram tudo e todos

Trouxeram escuridão em pleno dia
E apertaram o seu fraco coração 
Razão para teu triste fim escolhido

O velho menino que incrustado de
joias doloridas e más não pensou 
E com água bebeu ulceras e feridas 

Morreu só, como somente quis desde
Os princípios de seus suspiros tristes 
O verdadeiro silencio por todos temido

Corvos





Debruçou o seu pescoço já frio 
Onde os corvos lhe comessem
Os olhos e bicassem seus lábios

Para que não mais pudesse ver e
Não mais sentisse vontade de tocar 
Na boca de quem já se foi no vento

 Tamanho foi descontentamento do
Jovem louco alucinado que este pulou 
Despiu toda vida sofrida e dela partiu.

Mais tarde pousou o espírito choroso
Nas asas das aves negras e com elas 
Descansou em sofrimento e eterna dor!

Escarlate



O eterno passou logo
Durou menos que um
Infeliz vampiro no sol

E eu, triste bêbado que
Por infeliz escolha vi no
Sangue liberdade e fuga.

Mergulhei no profundo
Corte escarlate que me
Jorrou a alma pelo chão.

Pobre decaído, pobre do
Espírito atormentado do
Do canário assassinado!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Orvalho




 Sei
Que
Talvez
Haja
Espaço
Do
Teu
Lado
Para
Dar
Um
Novo
Passo.

Sono de Fim





Quero chorar, mas não sei se tenho direito de o fazer
Tenho um pouco de ódio guardado bem do lado de
Uma fúria que me devora o peito em raiva e espuma!
E ao mesmo tempo quero me afogar num choro longo
Noturno e profundo. Quero dormir até que passe nem
Que tudo seja escuro sem sol, ou sem pessoas por que
Tanto faz agora, só preciso fechar os olhos cansados e
Secos até que de mim nada mais reste que poeira morta.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sussurros e Silvos nas Profundezas





Faça deste teu curto silencio plateia e escute meu grito
Abandone as tuas esperanças e dance meu movimento
Esqueça os teus fracos conceitos e conceba meus desejos
Mate-se por mim e beba da fonte de meu veneno levitante!

Segure os dentes dentre a língua e abrace esses espinhos
Permite que minhas rosas lhe pintem de vermelho agora.
Sinta-as exalar o doce e alucinógeno perfume do seu declínio
Enquanto escolho teu epitáfio e termino minha taça de vinho!

Venha enfeitiçada e entregue brincar e se queimar comigo
Mergulhe nesse pesadelo de natureza morta com flores secas
Enquanto minhas presas dilaceram a essência de tua alma [...]

Venha em profundo livre arbítrio induzido e assim aceito por mim
Dê-me as mãos doce criança, venha descobrir o fundo do abismo
E de onde vem todas as vozes que sussurram em seu ouvido [...]