Psicografia
As gotas são vermelhas.
É dia, o que já não importa!
Morro.
12:00 Auge do sol.
Olá, diz ela compassadamente!
Já ele levanta correndo, e grita:
Qualé dona? qual é a tua?
A minha? a minha é mesma da sua,
menino.
Sei, to ligado, diz ele meio de lado.
A dona num devia tá por aqui não!
E por que menino? Se estou todos os dias
por estas ruas, passeando.
em? diz ele pensando em que droga a moça fumou!
Você é muito jovem, não entende, desculpa não é nada pessoal!
Íhhhh.. oh Dona, menino aqui
nasce homem.
e se nascer mulher, nasce vadia duma vez só.
A gente já nasce dando bença pra morte e se despedindo
dos que presta.
Claro. Conheço vocês, diz ela cada vez mais calma!
Mais se a dona anda sempre por aqui, assim calma e inteira ainda
deve ter parte no cão.
Por que deus num mora mais aqui
não, eu mesmo nunca vi,
mas o que tem de sombra correndo pra lá e pra cá, me faz pensar
que o inferno é mole.
Ela o fita neutra e diz: Que te faz pensar que merece o inferno.
Ele vira o rosto e diz: Oh Dona a senhora fala engraçado,
ninguem aqui merece nada não. do mesmo jeito que nois é tudo inocente.
Então ela caminha até perto e diz: Posso abraça-lo?
ele ri da cara dela e fala? Tu é loca mesmo em?
nem minha mãe me abraça.
Ela ainda assim o abraça.
E ele surpreso, corresponde.
Dona a senhora é gente boa desce daqui aqui num é lugar pra alguém.
Só existe nois mesmo.
Ela olha para o chão com um sorriso pálido e quando o olha novamente
ele corre subindo mais ainda o morro.
Ela suspira, estende a mão e grita: Até logo!
Esta lembrança não existe.
Mas foi revivida centenas de vezes todos os dias.






