sábado, 30 de novembro de 2013

Transmutação





O ódio queimou meu coração!
Queimou tanto que o terminou
Lentamente nas trevas solitárias
Onde as únicas velas ascendidas
Para mim, o esquecido, foram as
Que refletiram em suas poucas
Labaredas, meu desejo gritante
De queimar queimar e queimar
Quem me queimou!

[...] queimei por muito tempo,
Até me cansar do cheiro da fumaça
Que corroía meus olhos...

E quando os pesadelos comeram 
 Meu caminho soprei todas as velas, 

Apaguei todas as luzes e fiz das trevas
 Um passeio sem lua onde havia flores 
Abstratas e azuladas que respiravam como 
Verdadeiros pulmões vivos e todos os 
pássaros que as rodeavam tinham 
cabeças humanas que cantavam pelos
céus suas vidas chatas... Fiz do ódio, 
ausência, e esta cativou meu coração
 para o eterno nada.

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