O
ódio queimou meu coração!
Queimou
tanto que o terminou
Lentamente
nas trevas solitárias
Onde
as únicas velas ascendidas
Para
mim, o esquecido, foram as
Que
refletiram em suas poucas
Labaredas,
meu desejo gritante
De
queimar queimar e queimar
Quem
me queimou!
[...]
queimei por muito tempo,
Até
me cansar do cheiro da fumaça
Que corroía meus olhos...
E
quando os pesadelos comeram
Meu caminho soprei
todas as velas,
Apaguei todas as luzes e fiz
das trevas
Um passeio sem lua onde
havia flores
Abstratas e azuladas que respiravam
como
Verdadeiros pulmões vivos e todos
os
pássaros que as rodeavam tinham
cabeças
humanas que cantavam pelos
céus suas
vidas chatas... Fiz do ódio,
ausência, e esta cativou
meu coração
para o eterno nada.

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