Cada homem que lutava era um herói, cada mulher ou crianças
que persistiram à frente das trincheiras eram marcos de inspiração para todos
os cansados que ainda tentavam sustentar suas forças empunhando as armas e
estocando relâmpagos a frente cumprindo com o papel patriota de sua nação
orgulhosa. No fundo nos sentíamos bem por estar ali defendendo com unhas
dentes, mas, éramos tolos peões, joguetes desprovidos da necessidade de sobreviver e
dominados sendo mandados para morte certa. Cada lado dessa guerra defende um
ideal que no fim de tudo não passará de cobiça de nossos donos, por que estamos
nos matando numa batalha para que outro vença a custa de cada suspiro ou gota
de sangue que derramamos! Em dado momento, quando apontei minha arma para uma
mulher do outro lado da linha reta e atirei em sua cabeça, senti uma forte dor
pelo corpo como se houvessem formigas comendo meus braços e pernas por baixa da
roupa. E ao olhar para lado tentando pedir ajuda percebi que todos estavam caídos
em agonia queimando por debaixo de suas roupas também. Não somente nós, mas
avistei loucura em nossos inimigos que depressa largaram suas armas e começaram
a arrancar a roupa como se esta os estive mordendo. Para surpresa nossa e deles
a própria pele de todos no campo começava a ruir e desprender-se da carne a
expondo a terra, sol e bactérias letais sopradas no vento. Não demorou muito
até pedaços de carne viva em formas humanas começassem a correr descontrolados movidos
por uma intensa dor e desespero... Os músculos se contorcendo e tendões se
rompendo das mãos, visões assustadoras e monstruosas. Pessoas inteiras estavam
descascadas com a carne soltando dentre os ossos e veias azuis e rochas entupidas.
Muito choro quase superando aquele maremoto de sangue doente que nos banhou
como uma praia frágil esperando o quebrar da onda avassaladora. Nossos corações
batiam fortemente a medida que o calor aumentava dando a impressão de estarmos
sendo fritos e preparados ao molho vermelho. Não sabia o que estava acontecendo
ou de onde vinha tanto veneno, mas vinha e rápido demais para que qualquer um
de nós pudesse escapar. Nossos estômagos doendo muito começaram a borbulhar e
nossas barrigas se abrindo devagar com rachaduras terríveis imantavam o lugar
com vapor, havia vapor saindo das pessoas por que não estávamos expostos a
nenhum veneno de verdade mas sim sendo queimados de dentro para fora. Do vapor
que se levantava dos buracos no corpo erguia-se uma criatura com gemidos e
gritos de parto. Todo vapor se unia no centro debaixo do céu que cobria todos os
guerrilheiros dando imagem a uma mulher de cabelos longos e negros vestindo a
noite em trajes cheios de estrelas. Em sua cabeça um Diadema de ouro fervente.
Ela fez com que chovesse balas atiradas do nada que caíram na terra com a mesma
pressão e velocidade quando atiradas. Destruindo o resto daqueles corpos
mutilados e deturpados por inteiro. E como se não fosse muito, tirou da sua
boca aranhas e escorpiões munidos de lanças e espadas em cada uma das patas
para que dilacerassem os sobreviventes, as colheu na mão e semeou pela terra. Estes
os assim fizeram recolhendo depois as almas destroçadas e as entregando para
pela dama gigante. Ela que por sua vez, soprou sobre a terra e fez a cura de
tudo que morrera devolvendo nossos espíritos para corpos novos, para que uma
nova batalha começasse mais uma vez e novamente.

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