terça-feira, 19 de novembro de 2013

Esfera de Vapor





Cada homem que lutava era um herói, cada mulher ou crianças que persistiram à frente das trincheiras eram marcos de inspiração para todos os cansados que ainda tentavam sustentar suas forças empunhando as armas e estocando relâmpagos a frente cumprindo com o papel patriota de sua nação orgulhosa. No fundo nos sentíamos bem por estar ali defendendo com unhas dentes, mas, éramos tolos peões, joguetes  desprovidos da necessidade de sobreviver e dominados sendo mandados para morte certa. Cada lado dessa guerra defende um ideal que no fim de tudo não passará de cobiça de nossos donos, por que estamos nos matando numa batalha para que outro vença a custa de cada suspiro ou gota de sangue que derramamos! Em dado momento, quando apontei minha arma para uma mulher do outro lado da linha reta e atirei em sua cabeça, senti uma forte dor pelo corpo como se houvessem formigas comendo meus braços e pernas por baixa da roupa. E ao olhar para lado tentando pedir ajuda percebi que todos estavam caídos em agonia queimando por debaixo de suas roupas também. Não somente nós, mas avistei loucura em nossos inimigos que depressa largaram suas armas e começaram a arrancar a roupa como se esta os estive mordendo. Para surpresa nossa e deles a própria pele de todos no campo começava a ruir e desprender-se da carne a expondo a terra, sol e bactérias letais sopradas no vento. Não demorou muito até pedaços de carne viva em formas humanas começassem a correr descontrolados movidos por uma intensa dor e desespero... Os músculos se contorcendo e tendões se rompendo das mãos, visões assustadoras e monstruosas. Pessoas inteiras estavam descascadas com a carne soltando dentre os ossos e veias azuis e rochas entupidas. Muito choro quase superando aquele maremoto de sangue doente que nos banhou como uma praia frágil esperando o quebrar da onda avassaladora. Nossos corações batiam fortemente a medida que o calor aumentava dando a impressão de estarmos sendo fritos e preparados ao molho vermelho. Não sabia o que estava acontecendo ou de onde vinha tanto veneno, mas vinha e rápido demais para que qualquer um de nós pudesse escapar. Nossos estômagos doendo muito começaram a borbulhar e nossas barrigas se abrindo devagar com rachaduras terríveis imantavam o lugar com vapor, havia vapor saindo das pessoas por que não estávamos expostos a nenhum veneno de verdade mas sim sendo queimados de dentro para fora. Do vapor que se levantava dos buracos no corpo erguia-se uma criatura com gemidos e gritos de parto. Todo vapor se unia no centro debaixo do céu que cobria todos os guerrilheiros dando imagem a uma mulher de cabelos longos e negros vestindo a noite em trajes cheios de estrelas. Em sua cabeça um Diadema de ouro fervente. Ela fez com que chovesse balas atiradas do nada que caíram na terra com a mesma pressão e velocidade quando atiradas. Destruindo o resto daqueles corpos mutilados e deturpados por inteiro. E como se não fosse muito, tirou da sua boca aranhas e escorpiões munidos de lanças e espadas em cada uma das patas para que dilacerassem os sobreviventes, as colheu na mão e semeou pela terra. Estes os assim fizeram recolhendo depois as almas destroçadas e as entregando para pela dama gigante. Ela que por sua vez, soprou sobre a terra e fez a cura de tudo que morrera devolvendo nossos espíritos para corpos novos, para que uma nova batalha começasse mais uma vez e novamente.



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