domingo, 17 de novembro de 2013

Abismo De Obsessões





Acordei sem saber onde estava e com a mínima capacidade de prever as horas ou o dia que era aquele qual minha mente fora roubada e meu espírito terminado no íntimo das trevas e excepcional esquecimento. Meu corpo, destruído no calor e gozo de meu assassino cruel era uma lembrança incrível... Nunca pensei que sentiria falta de estar pesada e completamente presa a terra. Eu não era nada além de poeira cósmica animada, e isso me concebeu a maior de todas as tristezas possíveis após a morte. Junto disto um desejo incontrolável e destrutivo que me beirava a destruição pós destruição, vingança e ódio. Sentimentos juntos que projetavam fúria nos meus olhos que não conseguiam mais chorar por que eram pedras de choro que não podiam derramar nada além de lembranças do que era uma lágrima. Partia meu coração todas as noites e dias, os que eram exatamente iguais presos nos exatos minutos que morri e assim o relógio nunca chegava ao meio dia e também nunca escurecia o dia... Estive trancada na repetição do momento enquanto o ódio me dominou e dele fez correntes no pescoço e me tratou como um animal de fazenda. Na qual eu era a dona e também a burra carregadora de cargas. Cargas estas que me eram fardos gerados em meu ventre de angustias e incapacidade de perdoar. Minha ambição era destroçar os ossos, comer vísceras e banhar-me em todo aquele sangue criminoso. Também estupraria o coração de seus filhos, como fez ele comigo tantas vezes antes do fim. E bem antes de “o fim” arrancaria os dentes dos filhos e da mulher e costuraria dentro de seu estômago para ouvir as gargalhadas trágicas da morte que caminha nos ventos e caminha como raios de velocidade direcionados para ele qual o eu tanto quero entregue ao desespero! Gastei tanto tempo nadando na lama e planejando vinganças tantos séculos tomados pela raiva apodrecendo no meio de arvores carnívoras e pássaros com cabeças de vacas, porcos e insetos transmutados em formas escabrosas e horríveis.  Até que num belo dia de noite no meu planeta escuro, ele... Ele que me torturou e rasgou meu útero com força me tirando as chances de uma vida bonita e tranquila com problemas comuns estava ali, ali assustado com meu universo paralelo feito da realidade de pesadelos e de monstros astrais criados e deixados para traz...  Foi a única visão que valeu a pena em minha existência até aquele momento. E como se num clarão nascesse o sol e um parque de diversões aparecesse do nada meu coração começou a bater forte e feliz por saber que passaria muito tempo com ele, meu amor meu jovem amor eterno traidor... Todos os dias desde então nascera baratas e percevejos do seu intestino que o devoravam até cavar buracos em sua barriga. Eu como piedosa tampava o buraco com sal grosso e tinha o prazer de furar seus olhos imortais para sempre. Nunca me cansei de ver eles escorrendo no meio dos gritos atordoados e perfeitos, quase melhores do que os porcos metade pássaros que o penetravam por traz até rasgar tudo. Pela primeira vez chorei de alegria e contentamento supremo, de todas as criaturas eu fui a mais feliz e entorpecida de todo sentimento de prazer que poderia “alguém” sentir. Entreguei minha alma aos príncipes do abismo só para levar ele comigo e ter o delicioso momento eternizado de devora-lo como um demônio come a carne dos humanos culpados e embebidos de medo e temperados com dores e agonias para todo e todo o sempre!     

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