Haver!
Um verbo que inspira vontade de existência. E em outras
palavras dependendo dessa vontade ela se torna um desejo, e se for mantido não
realizado por muito tempo este se torna uma obsessão pessoal! Algo que projeta
nos olhos coisas que não está a nossa frente, miragens de tortura que podem
trazer dos mortos pessoas queridas que já se foram, ambições particulares
dentre tantas outras coisas que exalam sentimentos que não temos mais ou
simplesmente não iremos ter, por que ao fim não poderemos! Isso é como uma
machadada cruel nos sonhos de todo e qualquer ser humano... Há em todas essas
paredes deste curto castelo feito de madeira desejos não realizados ou vontades
que não podem ser esquecidas por que estão escritas em nossos braços, foram
entalhadas pelo espírito que anima aquele mostro. Ele é o jardineiro que cuida
desses gravetos que somos nós... Plantando arvores frutíferas de milhares de espécies
diferentes a nossa volta. Árvores que possuem um enorme tronco cheio de
espinhos venenos e afiados até as copas. Ele nos mantém imortais, passeando pelos
corredores espetando nossos corpos fracos e destruídos, chorando pelos cantos.
Ela se diverte com isso, banham-se em nossas lágrimas e come a pele rasa que
largamos pelas pontas doídas. Nunca nos dão comida, vez ou outra jogam no chão
migalhas de pão, arroz e biscoitos, migalhas curtas que temos que dividir com pássaros
do tamanho de carros com bicos cuidadosamente também afiados por ela e
envenenados por ele. Ali no desespero da fome alguns de nós morre, bem como os
que morreram estraçalhados tentando subir nas arvores loucos e completamente
famintos. Morre e morreram palavras engraçadas, com tempos verbais hilários
aqui... Faz muito tempo que todos se esqueceram de quem são, bem como o que
foram e quando foram. Só o veneno dessas malditas aves e infernais espinhos tem
o poder de nos matar, mesmo que isso não passe de um sono curto, nossa morte
não dura nem 1 hora. Ao fim desses minutos acordamos cansados, desnutridos e
com muita sede. Assim muitos de nós não lutamos pelas migalhas, mas pela própria
morte nos aprisionando num ciclo suicida eterno e sem volta. Passamos mais
tempo nos suicidando do que vivendo. Todos preferimos esse curto e verdadeiro
esquecimento, mesmo que custe alguns furos e sangramentos até o desfalecer da consciência.
O mostro que possui um corpo de homem viril e bonito tem três cabeças, a
direita é de um homem lindo mesmo que só tenha o olho esquerdo. A cabeça da esquerda
é de uma mulher atraente e jovem que também só tem um olho, o direito. Ambas as
cabeças não possuem boca, apenas a cabeça do meio, que é uma planta carnívora
que flutua a língua acida por cima das outras as queimando ao mesmo instante
que estas por suas vezes se curam milagrosamente rápidas demais. Não são três
seres fundidos ou alguma espécie de simbiose, mas algo tenebroso feito de fúria
e ódio puro desprovido de sexo ou gênero cabível que se enquadre em suas classe.
Eles gostam de cuspir em nós, e rir muito de nosso aspecto nada apresentável.
Dizem que como somos como ossadas mumificadas com uma fina camada de pele conservada,
dez ou quinze fios de cabelo, unhas diabólicas contorcidas e quebradas e
semblantes entregues ao túmulo sem lápide. Toda a fome e saudade fome do mesmo jeito nos sugou as ultimas
gotas de decência ou sanidade, sabemos que não somos loucos mas estamos
cansados demais para distinguir o que é bom ou ruim, o que comer ou não comer
ou até onde fazer nossas necessidades. Não é o corpo que está exausto é
apropria existência, é o próprio verbo Haver e encarnado em nós que dói, este
verbo não cessa não cai, não deita não morre não some nem nós... A imortalidade
da alma é extremamente pior que a mortalidade terrena. Podemos ver isso no
jantar toda noite, um banquete com todo tipo de comida de conhecemos e também
com muitas que nunca tínhamos visto. Uma enorme mesa preparada no meio do
jardim com frutas coloridas pratos doces, bolos, vinhos, sucos e tudo o que há
e o que a imaginação pode criar... Estes pratos são derivados dos nossos
desejos mais intensos e profundos, não tão profundos para o mostro que capta
nossas vibrações e as plasma em nossa frente. O cheiro é como uma guilhotina na
mente, nos olhos, na boca subindo e descendo decepando cabeças a rolar pela
ladeira [...] É a única vez em que conseguimos ingerir algo, pelo menos alguns
nós mais uma vez entregues a desesperada fome louca que os domina e monta com rédeas
curtas. É que ao comer os alimentos perdem o gosto no momento em que tocam
nossas línguas. E quando engolimos, eles se dissolvem dentro de nossos estômagos
como ácido sulfúrico. Os menos loucos então assistem seus companheiros agonizar
e correr pra todos os lados com as vísceras vazando atraindo moscas e toda
sorte de insetos para o jantar!

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