sábado, 30 de novembro de 2013

E se,



E se cair, aqui, ou ali na frente...
Não precisarei das tuas bobas mãos e
menos ainda terei o triste medo desse 
chão. Não preciso destas tuas lágrimas de
piedade ou pena, guarde-as! Aqui, ou ali
agora ou depois hoje, amanha eu só quero os
teus aplausos e tua inveja doce, mortal menor...
Não ria nem chore se eu cair, quando cair tenha
plena certeza que eu me joguei com tudo só
para poder fazer dos planos baixos um espetáculo 
na tua face, fazendo do teus olhos surpresos o
piso do meu palco esplêndido, tolo da plateia! 
Por favor não se levante, não sem antes 
me ver erguer das cinzas como uma fênix
brota resplandecente destruindo
os pequenos a sua volta, pequeno!

Transmutação





O ódio queimou meu coração!
Queimou tanto que o terminou
Lentamente nas trevas solitárias
Onde as únicas velas ascendidas
Para mim, o esquecido, foram as
Que refletiram em suas poucas
Labaredas, meu desejo gritante
De queimar queimar e queimar
Quem me queimou!

[...] queimei por muito tempo,
Até me cansar do cheiro da fumaça
Que corroía meus olhos...

E quando os pesadelos comeram 
 Meu caminho soprei todas as velas, 

Apaguei todas as luzes e fiz das trevas
 Um passeio sem lua onde havia flores 
Abstratas e azuladas que respiravam como 
Verdadeiros pulmões vivos e todos os 
pássaros que as rodeavam tinham 
cabeças humanas que cantavam pelos
céus suas vidas chatas... Fiz do ódio, 
ausência, e esta cativou meu coração
 para o eterno nada.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ir,



De quantas máscaras preciso p'ra
não ver passar aqui o teu sorriso?
Eu não quero me lembrar do teor
e todo complexo Del que mede a
nossa dor, meu amor se afasta de
mim, eu não quero o teu sim, sim
eu o quero mais que eu, estou só
louco dando nó na vida e partindo
meu bem, pra longe lá do outro
lado da rua só quero o teu bem,
bem poder te olhar mesmo que
seja bem longe e difícil esta curta
rua atravessar... Saudades já eu
tenho antes de ir meu bem amor!
o

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Esfera de Árvores




Haver!
Um verbo que inspira vontade de existência. E em outras palavras dependendo dessa vontade ela se torna um desejo, e se for mantido não realizado por muito tempo este se torna uma obsessão pessoal! Algo que projeta nos olhos coisas que não está a nossa frente, miragens de tortura que podem trazer dos mortos pessoas queridas que já se foram, ambições particulares dentre tantas outras coisas que exalam sentimentos que não temos mais ou simplesmente não iremos ter, por que ao fim não poderemos! Isso é como uma machadada cruel nos sonhos de todo e qualquer ser humano... Há em todas essas paredes deste curto castelo feito de madeira desejos não realizados ou vontades que não podem ser esquecidas por que estão escritas em nossos braços, foram entalhadas pelo espírito que anima aquele mostro. Ele é o jardineiro que cuida desses gravetos que somos nós... Plantando arvores frutíferas de milhares de espécies diferentes a nossa volta. Árvores que possuem um enorme tronco cheio de espinhos venenos e afiados até as copas.  Ele nos mantém imortais, passeando pelos corredores espetando nossos corpos fracos e destruídos, chorando pelos cantos. Ela se diverte com isso, banham-se em nossas lágrimas e come a pele rasa que largamos pelas pontas doídas. Nunca nos dão comida, vez ou outra jogam no chão migalhas de pão, arroz e biscoitos, migalhas curtas que temos que dividir com pássaros do tamanho de carros com bicos cuidadosamente também afiados por ela e envenenados por ele. Ali no desespero da fome alguns de nós morre, bem como os que morreram estraçalhados tentando subir nas arvores loucos e completamente famintos. Morre e morreram palavras engraçadas, com tempos verbais hilários aqui... Faz muito tempo que todos se esqueceram de quem são, bem como o que foram e quando foram. Só o veneno dessas malditas aves e infernais espinhos tem o poder de nos matar, mesmo que isso não passe de um sono curto, nossa morte não dura nem 1 hora. Ao fim desses minutos acordamos cansados, desnutridos e com muita sede. Assim muitos de nós não lutamos pelas migalhas, mas pela própria morte nos aprisionando num ciclo suicida eterno e sem volta. Passamos mais tempo nos suicidando do que vivendo. Todos preferimos esse curto e verdadeiro esquecimento, mesmo que custe alguns furos e sangramentos até o desfalecer da consciência. O mostro que possui um corpo de homem viril e bonito tem três cabeças, a direita é de um homem lindo mesmo que só tenha o olho esquerdo. A cabeça da esquerda é de uma mulher atraente e jovem que também só tem um olho, o direito. Ambas as cabeças não possuem boca, apenas a cabeça do meio, que é uma planta carnívora que flutua a língua acida por cima das outras as queimando ao mesmo instante que estas por suas vezes se curam milagrosamente rápidas demais. Não são três seres fundidos ou alguma espécie de simbiose, mas algo tenebroso feito de fúria e ódio puro desprovido de sexo ou gênero cabível que se enquadre em suas classe. Eles gostam de cuspir em nós, e rir muito de nosso aspecto nada apresentável. Dizem que como somos como ossadas mumificadas com uma fina camada de pele conservada, dez ou quinze fios de cabelo, unhas diabólicas contorcidas e quebradas e semblantes entregues ao túmulo sem lápide. Toda a fome e  saudade fome do mesmo jeito nos sugou as ultimas gotas de decência ou sanidade, sabemos que não somos loucos mas estamos cansados demais para distinguir o que é bom ou ruim, o que comer ou não comer ou até onde fazer nossas necessidades. Não é o corpo que está exausto é apropria existência, é o próprio verbo Haver e encarnado em nós que dói, este verbo não cessa não cai, não deita não morre não some nem nós... A imortalidade da alma é extremamente pior que a mortalidade terrena. Podemos ver isso no jantar toda noite, um banquete com todo tipo de comida de conhecemos e também com muitas que nunca tínhamos visto. Uma enorme mesa preparada no meio do jardim com frutas coloridas pratos doces, bolos, vinhos, sucos e tudo o que há e o que a imaginação pode criar... Estes pratos são derivados dos nossos desejos mais intensos e profundos, não tão profundos para o mostro que capta nossas vibrações e as plasma em nossa frente. O cheiro é como uma guilhotina na mente, nos olhos, na boca subindo e descendo decepando cabeças a rolar pela ladeira [...] É a única vez em que conseguimos ingerir algo, pelo menos alguns nós mais uma vez entregues a desesperada fome louca que os domina e monta com rédeas curtas. É que ao comer os alimentos perdem o gosto no momento em que tocam nossas línguas. E quando engolimos, eles se dissolvem dentro de nossos estômagos como ácido sulfúrico. Os menos loucos então assistem seus companheiros agonizar e correr pra todos os lados com as vísceras vazando atraindo moscas e toda sorte de insetos para o jantar!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Esfera de Vapor





Cada homem que lutava era um herói, cada mulher ou crianças que persistiram à frente das trincheiras eram marcos de inspiração para todos os cansados que ainda tentavam sustentar suas forças empunhando as armas e estocando relâmpagos a frente cumprindo com o papel patriota de sua nação orgulhosa. No fundo nos sentíamos bem por estar ali defendendo com unhas dentes, mas, éramos tolos peões, joguetes  desprovidos da necessidade de sobreviver e dominados sendo mandados para morte certa. Cada lado dessa guerra defende um ideal que no fim de tudo não passará de cobiça de nossos donos, por que estamos nos matando numa batalha para que outro vença a custa de cada suspiro ou gota de sangue que derramamos! Em dado momento, quando apontei minha arma para uma mulher do outro lado da linha reta e atirei em sua cabeça, senti uma forte dor pelo corpo como se houvessem formigas comendo meus braços e pernas por baixa da roupa. E ao olhar para lado tentando pedir ajuda percebi que todos estavam caídos em agonia queimando por debaixo de suas roupas também. Não somente nós, mas avistei loucura em nossos inimigos que depressa largaram suas armas e começaram a arrancar a roupa como se esta os estive mordendo. Para surpresa nossa e deles a própria pele de todos no campo começava a ruir e desprender-se da carne a expondo a terra, sol e bactérias letais sopradas no vento. Não demorou muito até pedaços de carne viva em formas humanas começassem a correr descontrolados movidos por uma intensa dor e desespero... Os músculos se contorcendo e tendões se rompendo das mãos, visões assustadoras e monstruosas. Pessoas inteiras estavam descascadas com a carne soltando dentre os ossos e veias azuis e rochas entupidas. Muito choro quase superando aquele maremoto de sangue doente que nos banhou como uma praia frágil esperando o quebrar da onda avassaladora. Nossos corações batiam fortemente a medida que o calor aumentava dando a impressão de estarmos sendo fritos e preparados ao molho vermelho. Não sabia o que estava acontecendo ou de onde vinha tanto veneno, mas vinha e rápido demais para que qualquer um de nós pudesse escapar. Nossos estômagos doendo muito começaram a borbulhar e nossas barrigas se abrindo devagar com rachaduras terríveis imantavam o lugar com vapor, havia vapor saindo das pessoas por que não estávamos expostos a nenhum veneno de verdade mas sim sendo queimados de dentro para fora. Do vapor que se levantava dos buracos no corpo erguia-se uma criatura com gemidos e gritos de parto. Todo vapor se unia no centro debaixo do céu que cobria todos os guerrilheiros dando imagem a uma mulher de cabelos longos e negros vestindo a noite em trajes cheios de estrelas. Em sua cabeça um Diadema de ouro fervente. Ela fez com que chovesse balas atiradas do nada que caíram na terra com a mesma pressão e velocidade quando atiradas. Destruindo o resto daqueles corpos mutilados e deturpados por inteiro. E como se não fosse muito, tirou da sua boca aranhas e escorpiões munidos de lanças e espadas em cada uma das patas para que dilacerassem os sobreviventes, as colheu na mão e semeou pela terra. Estes os assim fizeram recolhendo depois as almas destroçadas e as entregando para pela dama gigante. Ela que por sua vez, soprou sobre a terra e fez a cura de tudo que morrera devolvendo nossos espíritos para corpos novos, para que uma nova batalha começasse mais uma vez e novamente.



Esfera de Gelo




Aos poucos nós nos esquecemos do que é sentir calor e do que é ter um sol sobre nossas cabeças nos mantendo aquecidos. Isso faz com que sejamos jogados no tédio supremo e que andemos levados por impulsos apenas. Terminados, nós somos tragados numa poeira clarinha feita de cacos de vidro congelados. Grande parte de todos que estão existindo por aqui morreram tocados pelo próprio espírito da névoa. Uma consciência latente e disforme cujo corpo é revestido de uma luz aguda e cortante. Deste anjo sem asas e flutuante provem toda desgraça e praga, fome guerras e túmulos abertos com seus moribundos a passear vivos e entristecidos. O ceifeiro de gelo é o único que consegue atravessar os portais para fora e suportar as descargas de ectoplasma contaminado. Ele também é responsável por congelar nossos pés sobre o enorme lago que corta as montanhas brancas e nos ver afogar todas as manhas com o degelar do lago. Nossos lábios se partem no mesmo instante em que água nos beija de leve, nossos olhos são queimados no ar sem fogo algum e nossos ossos fraquejados se estilhaçam rasgando os órgãos por dentro até que todos estejam bêbados de vísceras e sangue coagulado. Aos poucos nossa consciência se esvai no vento o que por sua vez termina de cortar a carne de nossa face nos dando falsas esperanças de morrer novamente. Quando levantamos libertos da forma pesada que antes habitávamos e olhamos pela volta todo branco alvo agora é vermelho como o fogo e como tinta viva... Há braços faltando dedos por todas as partes cabeças com pés enfiados pela boca e orelhas podres dentro de estômagos pelo chão. Há vários corações pretos debulhados até onde a vista consegue imaginar, intestinos formando tapetes emaranhados como serpentes embriagadas. Pulmões enegrecidos e espatifados [...] Ambos sendo devorados por vermes brilhantes com cabeças de porco e orelhas de coelho que se estendem até a cachoeira que formam nossas lágrimas petrificadas! Pensar que tudo poderia terminar agora, depois de tanta dilaceração agonia e dor... Até esse pensamento nos é negado, uma vez que a visão vermelha que temos logo desaparece e somos tomados num sono intenso e profundo para poder acordar encarnados no mesmo lugar e da mesma forma. O ceifeiro faz questão própria de segurar nos espíritos com as garras e trancar num corpo feito de matéria, não a meteria orgânica da terra, mas tão pesada quanto a mesma... Passamos séculos até que o processo esteja completo e durante eles os vermes mutantes se acasalam sobre nós imóveis no chão, defecando, urinando e vomitando algumas partes de nossos antigos corpos que não foram digeridos como previsto. Ele parece se divertir em meio a essa podridão clara e até participa das orgias horrendas que nós tapetes agora assistimos e sentimos [...] É sempre assim que se decorre a morte desse lado, não há fogo em plasma não há lama nem lâmias nos espetando. Apenas um sádico ser iluminado de toda vontade doentia de nos reviver para sempre nessa completa agonia. Aprendi faz uns 400 anos que chorar só aumentaria as dores, é que as lágrimas percorreriam minha face como faíscas trincando a pele. Passei muito tempo com os olhos estripados por meu choro incontrolável e saudade de casa. Meu nome eu perdi aqui no vazio absoluto onde ninguém se conhece ou conversa, embora gritem a cada chicotada de vento gelado ou a medida que conseguimos arrancar o couro das costas um do outro com simples tocar. Não sei mais meu nome nem se sou homem ou mulher, essas duvidas corroeram toda minha mente assim como a de todos que enlouqueceram e tantas vezes se suicidaram até se cansarem como eu, me cansei de ser louco e voltei a ser eu mesmo... Triste e condenado a comer, respirar beber e morrer de novo e de novo gelo.