terça-feira, 30 de abril de 2013

Oráculo Escuro




Dadas as personificações e encarnações das mais obscuras,
friorentas, pervertidas, tenebrosas e tão antigas criaturas,
que putrefaz e assolam a terra e suas dimensões paralelas.

As volúpias esquecidas que viajam nas brisas frias e fracas,
vindas do cemitério pra onde vão sonhos e amores abandonados
chorar acorrentados em seus sepulcros de pesadelos eternos.

 E junto desses ventos rasos cheios de rastros de pura maldade,
que enfeitam de vermelho os dentes cravados na carne dos mortais.
Faço-me, um louco e feliz psicopata por mastigar tudo que respira.

Banquetes sem fim pra nós as trevas que os devoram desesperadamente
e tão tontos de fome que estamos roemos seus ossos como cães espectrais,
quais se levantaram das mais escuras e cruéis profundezas abissais.

Tal é esta a escrita manchada de sangue e das mais prazerosas perversões,
e ainda assim, mal podem relatar todas as nossas profecias e fétidas visões
que nascem no coração horrendo da besta, o jovem poeta sangrento.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Lembrança virgem



Ainda lembro do cheiro forte do cansaço
estampado nos teus jatos misturados a gritos
perdidos no meio dos gemidos limpos e 
também dos sujos e indecifráveis urros
de animais no cio devorando suas almas.
Debaixo de chuvas brancas, gotinhas puras
de vida, viscosas e saborosas que nos cortam
o rosto e inundam a boca, afoga-me e te afoga
nesse beijo manchado de intensas volúpias
destrutivas, 
que corroem nossas faces falsas de boa moral
e revela nossos segredos mais antigos
que só as paredes de nossos quartos sós
e nossas mãos cheias de calos podem saber
contar!


Amo-te



Gosto do cheiro e do sabor da carne viva,
do cheiro de vida vencida nessa fétida e vã
  existênciatomada pela morte, gosto de maçã
habitada por moscas doentes, vespas com
enormes dentes e tão doloridos e esbaforidos
zumbidos que molham minhas pernas e me
provem calafrios e arrepios sombrios cor de
noite, gosto desse tom de cinza claro que tem
minhas lágrimas cheias de tesão e desejos
escabrosos, com um leve toque macabro
de transar em meio orgia de gias e sapos
  excitados e delirantes. Tenho vontade de
dilacerar a tua língua num beijo com cheiro
de sangue numa mordida com cheiro estridente,
tenho vontade de transar contigo numa mesa de bar
repleto de familias inteiras sentadas e estupefatas.
Por me observar com tanta emoção fazer amor
enquanto arranco teu coração! Pois te amo tanto
que poderia quebrar teu pescoço.

Leite




Gosto deste tom de branco viscoso
presente na forma de gotas grossas
saborosas que escorrem entre veias
pulsantes e quentes do corpo louco
vermelho cor de sangue e de carne
Gosto dessa língua ninfomaníaca
que me devora em lambidas lentas
e mordidas rápidas cheias de leite.
Repletas de espasmos e calafrios
que junto dos meu gemidos mais
altos e ensurdecedores cantam meus
orgasmos borbulhantes completos
e inundados de segredos obscurecidos.
Tenho sede, de todo esse liquido
de vida pura, tenho sede, do sangue
quente que ainda pulsa, tenho sede,
de mastigar teus pulsos, tenho sede,
de me tocar com teus dedos, tenho sede,
de ver você gritar de dor e de amor
enquanto me adentra de forma rápida
e lenta e depois me espera, me deixa
chorar e por dentro me arrebenta.

Almas Simbióticas




Meus pecados são das cores mais doces e antigas
Descritas na linhagem sanguínea desta minha família
Guardados nos bolsos e dentro da boca de meu irmão
Que se escondem em suas mãos e debaixo dos lençóis
Recobertos de anzóis e farpas que rasgam meu coração.

Destilam em meu peito de poucos fios e muito suados
Esse veneno que me espelho e que mato o meu desejo
Com gracejos sua carne eu rasgo e com saliva despedaço
Depois o sirvo com tantos gritos e gemidos embriagados
Os quais todos juntos evocam os prazeres deste incesto.

Nosso amor que fraternal é tão cruel quanto vivo e eterno
Nele abrigamos nossas lutas de corpos viris e epiléticos sós
Quase devorando a própria alma ao mesmo que lamentando
O gozo que culpado por todos é por todos também invejado
Somos jovens bonitos tão perdidos quanto frios e molhados.