sábado, 7 de fevereiro de 2015

Lira do Deslocado





dá-se nome aos nefandos quando as estrelas
caírem na terra e queimarem a pele dos mortais.
Como pedaços do sol tocando o planeta com gozo
- é que merecemos mais esta lama que seus homens,
seus habitantes nobres e suicidas destruidores e
devoradores de tudo o que lhes é bom, monstros quais
faremos banquetes, sopas e guisados com suas tripas.
E em seus corações costuraremos sapos e escorpiões.
Feitiços e encantamentos para prender suas almas podres
em nossas garras e asas negras feitas das trevas de seu
universo horrendo, pois, somos nós, as mortes que tanto
procuram no céu! Eu sou o verbo não encarnado por escolha,
imortal na fumaça e em espírito, dono da eternidade e da luz
que raia a manhã a estrela maior dos sonhos lascivos e das
escolhas desobedientes, sou o pai da verdade minha e o filho
das verdades de cada homem vivente sobre a poeira dos meus
pés...    

Ossos Velhos




Um ultimo encantamento antes do alvorecer
dos meus ossos velhos, um para ter vida nos
cantos do meu corpo torto e sabor na ponta
da língua para desferir as melhores palavras.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Chuvas Conhecidas




Descansei o coração na chuva da noite
onde os sonhos são mais saborosos e
as certezas de te ver são mais claras que
o próprio sol dentro das trevas, saudades!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sem notícias, Amor




Bem no alto da palavra clara
há um manifesto do meu amor
terminado e fincado na carne
antes que a tarde se fizesse!

Depois do assolado meio dia
deitado na terra das sombras
meu coração não cantará mais
o seu nome ele o cuspirá longe.


Lembre-se dos sonhos loucos meus
das portas para o nada que abrimos, 

as janelas, as lamparinas os sorrisos.
 

Trancadas no fundo dos seus bolsos
  sendo deixadas quietas onde não há
chaves, nem rumores do meu amor.

Saudade Velha



Não há muito nessa historia de meu coração
só há dor e desilusão e umas poucas rimas,
pobres meio brancas e as vezes contorcidas
pra lembrar o sabor do meu amor e da ferida.

Da marca nos pulsos cortados e os retratos
velhos no sangue quente a jorrar pelo chão!
Até as camas desarrumadas e o velho pijama
largado ainda suado sobre a cabeceira velha.

É, digno de pena as memorias lamuriosas e
vagas desta estrada cravejada de rumores que
não são verdade, e verdades no escuro vazio.

Pena do meu coração que ainda vive sozinho e
por medo não acompanhou a razão de sua vida
até a morte, condenado a se arrepender sempre

Vela de sol



Queimei as horas
em sonhos lúcidos.
Queimei como o sol
enquanto te amei [...]

Fiz das trevas o amor
e do frio fiz o magma,
meu choro e meu olho
escorridos na tua dor.

Até que o fim, soprasse
a vida dos meus braços
carreguei nossos laços.

Até que os mesmos sem
piedade se desfazerem
fáceis, frente nossas faces.

Rosto Feio




Odeio a forma com que invade meus sonhos.
Essa estupidez precisa parar antes que eu atire
em você toda a magoa calada que lhe tenho e
faço alguns buracos em seu coração feio e torto!

Pior é ter imagens em preto e branco na cabeça,
lembranças, dias inesquecíveis e sonhos idiotas
em lugares que eu nem sei se ainda existem e com
cheiro de noite fria e um medo perfeito de ser visto!

É a velha vontade de tocar nos mortos de beijar o vento
e deixar que a musica proibida embale o momento só,
em prol de derreter o tempo em valsa notas e raiva [...]

Eu já sei onde anda, onde te encontrar e deixar minha
mão escorregar por seu rosto feio numa esquina ou em
qualquer lugar que nós conhecemos, só nos conhecemos!

Fim das Quaresmeiras




Nós nem percebemos quando os pássaros
deixaram de cantar e as flores fecharam-se.
É que aquele canário azul, com cheiro de frio
e noite aquietou-se até que o silencio fez-se!

Apertou o peito com dor e prendeu o sopro
pra não precisar chorar nem ver meus olhos.
Covarde! Covarde! Minhas palavras tentativas
de não desaparecer nos vultos do nosso fim[...]

Deitei os soluços junto as dores na barriga e fiz
força também, não queria deixar de existir, eu,
só dormi quando o sono veio foi impossível ser.

As quaresmeiras continuaram as flores mais belas
do ano ainda floriam como se zombassem ou só
tivessem pena de mim, adormecido à observá-las.