Arrastamo-nos em sua sombra há séculos
Escondendo-nos da luz quente do sol.
Ela nos protege desde que nos fora dada
Nas encruzilhadas escuras da cidade de sua mãe
Onde seu pai a rejeitou e cuspiu em seu caminho
E como num jardim de rosas fracas e secas
Nascemo-nos felizes os espinhos!
Bem no meio
de uma estrada abandonada onde se desprendem das paredes as senhoras que
habitam as penumbras esquecidas às damas perdidas. Quais parasitam lares roubam
sorrisos e presenteiam famílias antigas com tapas, brigas e discussões longas e
desnecessárias, mas, que um pouco do fogo que ilumina os olhos dessas
prostituas pode ganhar sentido tão amplo e complexo a ponto de convidar a morte
a visitar lhes. Em toda sua forma dolorosa e confusa que todos conhecem. São
espectros chorosos e maliciosos das sarjetas e pontos, mas que dominam muitos corações
e olhares, desejos e anseios dos mais variados tipos, tamanhos e cores que o
dinheiro pode pagar!
Estão sempre
acompanhadas de seus parceiros dotados de beleza, vulgaridade e qualidades que
lhes são afins. Principados das ruas escuras, esperando pelas jovens senhoritas
entristecidas e amargadas por seus maridos infiéis, malditos e violentos. Moças
e mulheres que se entregam na lábia de serpentes vagabundas e quentes de uma só
noite, que talvez possa vir a ser a última ou até mesmo eternizada em lamentos
sofridos plasmados naqueles gritos e gemidos empoeirados de quem perde a alma
na ponta de uma cama vã com algumas horas de prazer absoluto, perdendo a
jovialidade e saúde nos braços de estatuas de porcelana e plástico que se
movem. Mal podem homens e mulheres com sua falta de senso e condição solitária
compreender o poder que possui um beijo do desconhecido. O medo junto da
solidão e carência pessoal pode ser desastroso quando seguidos à risca por
pessoas que estão buscando a qualquer preço atenção ou vinganças que irão
sacrificar seus destinos. Preços altos, mais até do que poderiam pensar poder
pagar. Estão cientes dessas fraquezas e tendências suicidas da carne os que
fazem delas trabalho ou divertimento, prostitutas e prostitutos sedentos para
arranhar sentimentos e devorar lágrimas virgens de quem procura afeto. Procuram
em lugares errados, ainda piores que simples pessoas da vida, estas criaturas
estão dividindo o mesmo corpo com diversos seres que tentam atravessar o véu da
morte e cruzar espaço tempo para existir em nossa dimensão. E por isso não são
mais do que cascas hospedeiras das diversas faces que possui as trevas e seus
filhos asquerosos.
É como se
trabalhassem em empresas destinadas a destruição de maridos e esposas, garotas
e garotos alucinados pelo desejo, lucrando com o sofrimento destes e ganhando
forças para continuar com suas coexistências simbióticas. Desfrutam todos e
todas muito sorridentes dos salários altos e mesadas em copos e mais copos em
bares e mais bares e botecos das mesmas ruas avenidas e esquinas em que vivem.
Parecem estar presos àquelas paredes trincadas, aquele chão gasto e aqueles
motéis baratos e fúteis também da mesma rua. Muitos não percebem o quão mortos
já estão e que nunca mais poderão sair dali e que seus corpos foram vendidos e
não há nenhuma chance de se retomares ao controle, estão confinados e viver na
imundice e na sombra que a humanidade lhes deu. Uma vez que as correntes
psíquicas que lhes prendem são pesadas e deliciosas demais para serem quebradas
e mesmo que pudessem não o fariam, estes fantoches e marionetes passaram muitos
séculos como brinquedos de outras pessoas e como joguetes de forças maiores
tudo que lhes provem alguma vida são seus donos e nada mais. Seus pensamentos, emoções
e sentimentos não mais existem, isso lhes fora arrancado fácil e rápido. E
aqueles que ainda os tem em qualquer quantidade ou qualidade só possuem versões
de papel insignificantes. Amores avassaladores e devoradores que vem e vão como
o vento sem remorso, tão pouco piedade. Monstros que desaprenderam a humildade
e benevolência quando ainda eram humanos e se entregaram a paciência dos
prazeres mais horrendos e demoníacos que a escuridão repleta de porcos podem
oferecer juntos! Não há muitos termos suficientemente capazes de suportar e
tornar visível com letras toda a escuridão de que fazem parte. Estes são
diferentes de todas as noções que temos e apesar de seus corpos definirem sua
identidade sexual, ela não existe. Há uma simples e pura volúpia maléfica
encarnada. Não há muitos seres vivos que se lembram da pronuncia de seus nomes,
nomess que eram referidos na antiguidade, nomes que foram escritos na queda da
terça parte das estrelas, onde suas próprias e iniciais histórias são relatadas
bem como a morte de seus verdadeiros corpos, tornando-os dependentes de alheios
para sobreviver.
E no meio
de toda essa podridão, desliza uma mulher com muita lentidão e um olhar fixo
sempre para frente, nunca desviando para os lados de forma alguma. Ela sabe e
compreende bem a intenção daqueles monstros pervertidos e também sabe que se
permitir levar por eles nunca mais sairá de suas ilusões e persuasão mágica.
Ela que protegida por sua confiança pessoal continua seu percurso fiel em seus
passos cuidadosos e certeiros, os que conhecem bem o caminho e poderiam levá-la
sem que ela percebesse. Sua leveza só fora rompida pelas desesperadas batidas
de coração que se aproximaram dela por trás prontas ao bote. E também rompido
foi o silencio por uma orquestra de vozes ludibriantes e manipuladoras compactadas
numa só língua. A que misturando as palavras com risos e zombarias pronunciou
com dificuldade algumas palavras que nada mudam o pensamento ou fizesse com que
a mulher parasse de andar. Isso despertava a fúria da legião que habitava
aquele invólucro, fúria que ainda assim nada aumentava ou diminuía na obstinada
mulher. As potestades e os principados que a assistiam em sua passagem perdiam
o sorriso com o mover de seu corpo através deles, alguns até os olhos escondiam
para que não precisassem olhar para ela.
Caminhou até
se ver livre de tudo aquilo. E era notável o sorriso de satisfação que agora
mudava sua característica facial extremamente neutra para contente. Trazendo
consigo uma mala muito grande e de aparência pesada que se esfregava contra seu
vestido longo sem decote devido a estar tão pesada e mesmo que estivesse
fazendo força não aparentava muita dificuldade para ergue-la. A medida que se
aproxima das demais ruas e das praças e do comercio local, logo também se
aproxima de sua casa. E o vento que então era quase uma pessoa que a acompanhava
firme começava a lhe abandonar e com ele pareceu se despedir até mesmo um pouco
do próprio ar. Mas para ela tudo era tão comum que não lhe fazia acréscimo
nenhum de coisa alguma. Abriu com mais cuidado
que seus passos a porta da frente, e novamente deslizou de leve mas agora de
forma rápida até o segundo andar onde ficava seu quarto. Deitou a mala sobre a
cama e cansada respirou com dificuldade ao mesmo tempo em que começa a despir o
vestido feio, revelando-se assim seu corpo que era muito mais bonito do que
aparentava. Ela abriu as gavetas de seu armário e retirou as roupas que imaginara
cair bem naquele momento. Uma lingerie preta que não chegava aos joelhos e uma
gargantilha de couro que lhe apertava o pescoço e diminuía mais ainda o ar de
seus pulmões, ar que quase já nem existia e menos ainda dentro dela. Soltou os
cabelos de forma que estes ondularam suas costas e maças do rosto.
Era notável
que parecia estar contente quase que feliz. Apanhou a mala nos braços outra vez
e foi em direção as escadas para descer no primeiro andar. E com um ato meio escandaloso e estranho
atirou esta com força escadas a baixo e não deu importância a possível perda do
conteúdo que a mala abrigava. E num outro ato bem mais estranho que o primeiro
pintou a face e os cantos da boca com um sorriso pequeno e bonito, e logo
terminado repetiu com seu corpo o que fizera com a mala, lhe cobrindo de
hematomas e esfoliações na pele. Logo ao cair no fim das escadas levantou com o
dobro do contentamento que tinha antes de se jogar e sorrindo intensivamente
movimentou seu corpo como numa dança contemporânea até a cozinha passando a mão
com delicadeza em facas, garfos, colheres, abridores de lata e tesouras e todos
os utensílios de metal que encontrou. Recolhendo e abraçando tudo nos braços
contra os seios de forma a flagelá-los com cortes pequenos e sangrentos. Ela os
abraçou com tão vibrante alegria que era de se emocionar e chorar com a
loucura. No som de uma boa musica popular de sua cidade comum e pacata foi até
a banheira onde jogou seus brinquedos de metal, aço e ferro. Logo depois voltou
aos pés da escada e levou também sua mala para o banheiro, esta que a esperou
como cachorrinho obediente que espera pelas ordens do dono. Cobriu-se de um
robe singelo ocultando todas as curvas do corpo e tornando-a alguém como outro
qualquer. E antes que pudesse eu contar com minhas palavras onde estava agora,
ela já quase cruzava a esquina que era perto de casa com o intuito de ir a uma
mercearia. Seu andar cuidadoso de antes agora fora trocado por serpenteio
fabuloso. Parecia estar dividida entre este mundo e outro qualquer pessoal.
Era como se
quase toda cidade não ligasse para aquela bela mulher que caminhava entre as
pessoas, algumas até saiam de seu caminho sempre muito caladas e atentas aos
seus movimentos. Ela chegou à mercearia que não era grande e caminhou por toda
ela procurando... E então litros e litros, barris e barris de vinho suave
somente comprou. Todos que lhe pousavam o rosto, mas não tinham coragem para
arriscar palavras ou perguntas, abaixavam a cabeça melancolicamente no instante
que tentavam olhá-la por uma força desconhecida. Doce como o puro mel ela pagou
por sua compra e pediu ao senhor dono da venda que mandassem entregar em sua
casa. Este por sua vez lhe ofereceu o filho, um rapaz jovem e bonito qual ela
mesma fez questão de pedir, por favor, que levasse tudo para ela e com um beijo
no rosto dele se despediu e dirigiu-se a saída que não era muito difícil, por
que como disse não era grande a mercearia, e poucos passos gastou. Quando fazia
seu percurso de volta, que também não era difícil decidiu tomar um novo caminho
e mais longo. Parou do nada no meio da estrada e do cruzamento das avenidas
principais e ali sentiu um forte lampejo e vozes ensurdecedoras de todas as
quatro avenidas que poderia tomar. A primeira era de sua casa, a segunda que
tomara mais cedo a levaria para os senhores e senhoras das esquinas, a terceira
na qual passara levaria de volta para o comercio da cidade. Então com todos os sussurros
mais altos que pode distinguir a direção, olhou para a quarta com graciosidade,
onde logo no começo tinha um berçário em que algumas crianças brincavam do lado
de dentro da cerca. Os sussurros eram tangíveis como gritos na sua cabeça
agora, e a brisa a conduziu até lá. Tirou do bolço alguns docinhos, chicletes e
pirulitos bem coloridos quais atraíram as crianças até o portão como abelhas e
formigas para o açúcar. Ela abriu o rápido dando sua mão para os pequeninos que
eram cinco. Três meninos e duas meninas ainda menores que eles. Ela os divertiu
muito e com tantas gargalhadas e abraços bobinhos e os convidou a ir com ela
até sua casa. Era impossível de rejeitar o pedido e eles foram correndo
encantados alguns minutos até bem antes dela e em sua frente. Suas felicidades
eram como o brilho de estrelas tocando o chão da terra e logo atrás bem mais
radiante, a lua. Tão educados que foram sentaram no sofá e esperaram ordens
daquela mãe bondosa, que os pediu para que ficassem quietinhos e esperassem. Os
cinco nunca tinham ouvido aquela música calma e branda, mas junto dela de uma
forma ventriloquista cantavam juntos. Tudo parecia véspera de natal ou outra
festa onde a comunhão é perfeita entre seus participantes.
Quando a
campainha tocou alto quebrando o ritmo da musica ,ela rasgou rosto de fora a
fora com outro sorriso e desta vez não caminhou, correu para a porta e recebeu
com tamanho carisma o filho do dono da venda que o comoveu na hora em que este
pousou o olhar receoso sobre ela. Este olhar mudou no exato momento, quando ela
o convidou a entrar e até brincar com as crianças. O clima denso da casa o
envolveu intimamente, lhe dando confiança e conforto no que ela dizia. A mulher pediu para que ele a ajudasse levando
todas as suas compras para o banheiro, o rapaz tão estonteado apenas concordou
e obedeceu como se fosse qualquer outro pedido comum e sem muito alvoroço. E
sobre a banheira repleta dos objetos que ela colocara mais cedo derramou todo
aquele vinho naufragando-os. A banheira tinha a cor mais linda do mundo era
vermelha como sangue e apetitosa quanto uma maçã. Ela então deixou que seu robe
caísse no chão mostrando-se toda para o rapaz que a fitou pasmo. Suas pupilas
dilataram com tanta rapidez quanto o suor frio que escorreu nos braços. Eram
traços e vibrações inevitáveis que o tomavam agora. O rapaz naquele momento
sentiu-se maior, e ao baixar as mãos sobre a calça envergonhado não pode conter
a ereção espontânea que apertava sua cueca revelando sua calça também apertada
e volumosa. Sua boca corou de forma nunca feita antes fazendo com que ele
molhasse os lábios rapidamente. E ainda com maior rapidez tirou a camisa,
descalçou os tênis e abaixou a calça que já o incomodava. O pênis do rapaz
parecia querer saltar de tão duro e cheio de veias pulsando, alguns segundos
bastaram para que sua glande saltasse do elástico da cueca e se mostrasse
melado. A mulher o assistiu branda como sempre, e o beijou devagar tirando sua
roupa e seduzindo-o completamente. O garoto que mal se contia iria gozar em pé
só com aquele beijo. Ela ainda o segurou firme e levou aos dedos gelados a
ponta de seu pênis, o massageando e molhando ainda mais. Ele podia sentir
aquela brisa tão fria em seus ouvidos, nádegas e todos os fios de cabelo do seu
corpo. Brisa que em seus olhos projetou visões maravilhosas de caravelas
grandiosas navegando ao lado de sereias magníficas e nuas, assistidas por marinheiros
duros e sedentos por possuí-las. A mulher o abraçou firme e escorregou a língua
no bico de seu peito tirando toda sanidade do rapaz na forma de gemidos
adoráveis. Deixou que sua língua caísse mais e logo engoliu todo aquele pênis
viril e nervoso, o garoto por us vez mal conseguia abrir os olhos com todos os
movimentos que ela fazia com a boca. Ele não pode notar nem viu quando adentrou
a mulher, e quando se deu conta de seu feito, sua boca gritava alto chorando
ele gritava tão alto e desesperado que seus urros de prazer rompiam sua
virgindade com gosto e em bom som. Sentia-se homem feito e não tinha a menor
vontade de parar, cada vez mais fundo ele a rasgava e se mantia ímpeto. O
cabelo da mulher se enroscava no pescoço dele e deixava seu rosto roxo,
dolorido mas tremendamente contente. Era primeira transa dele, e a única que
qualquer homem experiente ou não poderia ter, por que era a mais incrível de
todas. Onde o som, visão, corpo, homem e mulher eram um ser unicamente. O
sangue fervia em suas veias latentes mal se dava conta ele que o desejo era tão
poderoso que não conseguia parar. Ele gemia mais alto que ela, e muito mais
batia os dentes um contra o outro de tanto prazer. A mulher, por sua vez perdia
a cor dos olhos, eram brancos como um céu sem nuvens e suas presas inferiores e
superiores estavam presentes e a mostra participavam efetivamente dos rasgos
nos lábios do rapaz. Sua língua se alongou de tal forma que ela pode tocar o
coração dele por dentro lambendo-o e se deliciando com o calor deste. Engraçado
que mesmo com a língua da mulher próxima de suas entranhas ele não cessou. E
ela perdia cada vez mais um pouco de sua forma humana e muito da beleza a
abandonava drasticamente. Seus oito braços estavam a mostra e balanceavam junto
de seus cabelos.
Um demônio
plasmado na forma física escondido no estado de larva, abrigado dentro do corpo
de uma mulher se libertava e comia a vida e o espirito turbulento daquela
vítima presa em sua teia. É só uma mosca inoportuna para as garras e quelíceras
da víbora aracnídea que o entrelaça e regassa com sua alma. Tanto era o
assombro de seus gritos que despertaram curiosidade nos ouvidos das crianças, e
estas não mais puderem esperar. Foram correndo ver o que acontecia. Sem saber
precisamente o que se decorria aproximaram-se os curiosos querendo saber o porquê
daqueles abraços tão apertados, despidos e doloridos. O demônio, que ainda
conservava contrastes femininos fortes ainda que monstruosos, olhou fundo olhos
dos pequeninos de forma a lhes escravizarem impetuosamente para cumprir seus
mais obscuros desejos. E eles, estando movidos pela atmosfera voluptuosa que
emanava dos buracos negros dela, os seus olhos, se juntaram a nudez do casal.
Seus corpinhos excitados eram uma graça divertidíssima no entender e nos risos
mais altos que o choro da rapaz vindos dela. Risos de mulheres e homens ao
mesmo tempo, impossível de definir a quantidade de pessoas aprisionadas nas
entranhas daquele ser. Os três meninos
começaram a lamber as nádegas do rapaz deixando-as ainda mais macias do que já
eram, e não sendo silenciosos deram sua vez na sinfonia de gargalhadas e
gemidos. Aquelas três pequenas línguas se estendiam babando felizes na bunda do
rapaz, que por sua vez se encontrava num orgasmo profundo e alucinógeno. E
quando um dos meninos pousou sobre seu ânus a língua molhada e fria, e neste
adentrou firme, o rapaz quebrou as unhas nas costas da mulher em rasgos tão
profundos que poderiam se mostrar a vista de toda a parte do cefalotórax dela.
Os meninos continuaram a lavar e amanteigá-lo levemente dando-lhe prazer
absoluto com toda a saliva infantil que consumia seu corpo, aquele prazer zoofílico
e pedófilo que ele desconhecia era completamente descomunal e lhe provia os
mais gostosos calafrios e arrepios que subiam de suas pernas e coxas cabeludas
onde se enroscavam os pequenos membros petrificados de tão duros que eram dos
menininhos. Enquanto aquela cópula era mantida forte quase que no teor de
estupros consentidos, as duas meninas atentas, abriram a mala da mulher como se
soubessem e premeditassem tudo que teriam de fazer. A mulher demônio assistia a
todos desempenhando seus papeis cruciais, além de participar. Seus olhos eram
cada gota de suor derramada ali, assim era como se ela fosse o ambiente inteiro
bem como também uma parte corpórea e não. Dentro dos olhinhos ignorantes das
menininhas se apresentavam visões de bebes abortados que ainda respiravam
sofridos com angustia e líquidos escuros sobre sua carne extremamente frágil.
Elas os retiram da mala e deram colo para eles, deixaram que chupassem em seus
biquinhos de peito minúsculos os amamentando e cantaram as cirandas que tinham
acabado de aprender. Num jeito de pequeninas mães acalmando seus filhos. Depois
levantaram devagarzinho para não acordá-los e foram a beira da banheira
vermelha onde mergulharam e se afogaram. O rapaz que já tinha gozado tantas vezes
dentro da mulher estava exausto, mas seu pênis estava duro e vivo e ansiava por
continuarem mesmo que todo aquele sêmen estivesse caindo da vagina dela sem
lugar pra ficar e sem óvulos para fecundarem. Formava-se aos poucos um poço de
espermas nos pés deles. O menino que o penetrava no ânus com a língua estava
completamente embriagado dum prazer embebido de bruxaria e feitiços negros. Os
outros menos concentrados se dividiram em duas tarefas. Um fora do lado de fora
da casa atravessou as ruas levando horror e lágrimas de pavor nos olhos das
pessoas que via ou sentia o cheiro forte de sexo na criança. Ela escureceu todo
o céu em que debaixo passou refletindo as puras trevas e desejo maliciosos.
Entrou na mesma venda onde a mulher comprou o vinho e simplesmente pegou
fósforos e bebeu toda a quantidade de álcool puro que conseguiu e levou nos
braços todos os frascos que conseguira carregar. Todos que assistiram sua busca
se espantavam e choravam sem poder fazer nada. Diferente deles, os príncipes e
senhoras da perdição das paredes aplaudiam com muito calor o menino que voltou
para casa e para o banheiro onde cuspiu e vomitou por toda parte cobrindo o
lugar do álcool que buscara. Entregou os fósforos num dos braços do demônio e
logo depois mergulhou onde os corpos de suas amigas mães agora se decompunham,
morrendo afogado. O outro recolheu uma faca longa e afiadíssima do fundo da
banheira qual ele entregou para o companheiro que roubava tantos beijos gregos
do rapaz e lhe enterrou o metal cortante pelo orifício escancarado e cheio de
baba. O Sangue pintou o chão na hora. A mulher parecia estar em perfeito ápice
de concretização sexual, conseguia cruzar mais alto que o sétimo céu pisando na
terra. O rapaz chorava desesperado de dor, mas seu penis enfeitiçado continuava
ímpeto e cruel dentro dela. A faca que dilacerava seu intestino e rasgava
furava a próstata não destruía seu prazer, mas acrescentava dor, um tipo dela
que ele adorou e nem percebeu o meu que lhe fazia.
Os meninos
estavam exaustos, ela como boa mãe que era os acolhei em seus braços fortes e
os aproximou dela, e eles começaram a mamar nos peitos da mulher famintos, que
os alimentou com leite, que se formara com a chegada de sua gravidez. Ela os
alimentou cantando cantigas de ninar descansando-lhes e roubando todo e
qualquer sopro de vida que os restara. De tanto, o rapaz morreu. Morreu duro
dentro dela rasgando-lhe as fibras da placenta que iam se formando. Satisfeita
coloca os meninos no chão e pede para que brinquem com as luzes de palitinhos
que trouxeram para ela. E eles riscam os fósforos como pequenos foguetes que
encantam a imaginação das crianças e, se incendeiam na mesma hora. Tendo a
carne tostada em bolhas derretidas da pele e nem se dão conta disso, espalham o
fogo por entre todas as paredes iluminadas agora. Brilhantes como se o próprio
sol tocasse na pele deles os abençoando e purificando tanto, tanto que seus
pecados evaporavam rápidos e com eles seus ossos, órgãos e tecidos.
Faminta
quando decidiu comer da carne do rapaz e antes que o fogo a destruísse deitou
em sua banheira acompanhada de suas crianças visitantes que ficariam com ela
eternamente. Molhou seu corpo no vinho que sugara a vida de todos e sentiu-se a
mais rica e feliz das rainhas. E sobre ela seu amante dormia intensamente tranquilo,
bonito e viril. Pousou a mão em suas nádegas babadas e lhe retirou a faca lhe
estripou. Enfiou uma das mãos pelo buraco alargado e começou a catar pedaços do
intestino e come-los com vivacidade e prazer no gosto procriado em seu paladar.
Em alguns minutos ela devorou todo aquele corpo. E quando terminou sua barriga
estava tão grande quanto a duas ou três gravidas juntas. Sempre muito iluminada
pelas chamas que se propagavam nas paredes do banheiro e formava o teto, que
queimava tão estridente e ressoante dotado de uma terrível graça a mulher demônio
deu luz. Dentre tantas cinzas mortais e restos humanos, aquela gigantesca aracnídea
monstruosa deu a luz antes mesmo quem seu corpo sucumbisse e fosse carbonizado. Levantaram-se de todo o escombro feito, dois
meninos e duas meninas tão bonitos e atraentes como a própria mãe, eram as personificações
vivas das vozes que gritavam para a mulher encarnadas agora. E estes com a fome
de quem vem ao mundo pela primeira vez comeram das cinzas dos mortos e roeram
os poucos ossos que restavam ali, beberam o sangue e o sêmen misturados no
vinho fervente que ainda restava.
Felizes,
sorridentes e assassinos cruzaram a casa e se dirigiram a saída dela na
esperança de formarem seus próprios ninhos naquela cidade.